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Textos egóticos e estressantes

Parte de quem ela é

Posted by on 17:03 in Textos | Comments Off on Parte de quem ela é

Ela sempre precisou de atenção e isso guiava sua forma de vestir e agir. No entanto, evita os olhares das ruas, afinal, o que eles oferecem não é das melhores e tampouco a completa da forma como acha que mereça.

“Você tem que se guardar para olhos cheios de ostentação, distintos e excêntricos”, diz para si mesma numa manhã enquanto vislumbra seu reflexo no espelho. Respira fundo e se lembra das vezes que estivera no centro das atenções alheias. Um arrepio sobe por sua espinha, fazendo-a sentir como se milhares de fogos de artifício explodissem em seu interior. “Deles eu posso colher a mais pura e bela porção do sentimento mais humano que, embora intangível, preenche esse vazio que me corrói o peito”. E ao falar isso ela se vislumbra no topo de uma escala social existente apenas em sua cabeça.

Sua vida era baseada em estar no foco de tais perfeitos olhos presentes em festas e encontros da alta classe. O problema é que já faz dois dias sem tais eventos. Tentava pensar em outras coisas para se livrar de sua crescente abstinência, mas quando sentiu seu brilho interno começar a se apagar e o coração se apertar em agonia, não foi possível vislumbrar outra solução senão fingir um sorriso e sair às ruas cotidianas, para então recolher daqueles olhares pouco interessantes a tal da inveja, que sem a qual ela não consegue viver.

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Redenção e reconquista

Posted by on 19:39 in Textos | Comments Off on Redenção e reconquista

Mesmo que as brigas começassem sem qualquer motivo aparente, sabia ele, já não atrapalhavam mais os vizinhos.
O roteiro se repetia: num dia ela se queixava da desordem, noutro, o cobrava uma lembrança julgada supostamente esquecida, em outro, uma atitude descabida. Não importava porque, o fim era sempre o mesmo.
Ele jurava amores com flores, desculpas, lágrimas e promessas. Na manhã seguinte a acordava com um beijo apaixonado e, sem embaraços, levava-lhe café da manhã acompanhado de uma rosa e uma maçã.
Ela precisava de um dia inteiro para recuperar o amor levemente abalado. Ele, por sua vez, ao meio dia já sentia seu coração pulsar em alegria. Que sensação maravilhosa, era justamente o que queria! Que esposa tinha!
Enviava-lhe mensagens e carinhos, mostrando que bom esposo se fazia. Danos reparados, cicatrizes curadas, prontos para voltar a ser um casal em harmonia.
E conforme fim do dia se aproximava, temia não saber lidar com a eminente calmaria. Sentir novamente a emoção da reconciliação era o que queria.
Já que, por via de regra, é de nossa miserável condição que o agradar a nós prevaleça sobre o ao outro agradar, o jeito era outra discussão começar.
E é bom lembrar de que uma rosa e uma maçã para o café da manhã ele deveria providenciar.

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Incompreensível

Posted by on 13:05 in Textos | Comments Off on Incompreensível

Ir ao trabalho pela manhã ouvindo rádio era seu passatempo favorito. Passatempo porque é assim que define esse momento. E rádio porque gosta de variar e ouvir coisas novas. Mas nessa manhã, o que mais queria eram suas boas e velhas músicas. MP3 player plugado no carro, vidro aberto para curtir aquele frescor matinal e “Boom, boom, táda táda, ts boom, ts boom, ziiiiIIIIIIiiiiiIIIIII boom boom…”. Carros a sua volta fecham os vidros, pessoas olham torto… “Caramba, gente. É apenas segunda-feira e essa nem é a melhor batida”, falou, mal conseguindo ouvir a si mesmo. No fim, concluiu que o gosto alheio para música é horrível.

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O que realmente importa

Posted by on 16:40 in Textos | Comments Off on O que realmente importa

Seu serviço era bom. Pelo menos assim pensava. Era um pintor decente. Ou talvez um padeiro. Quiçá um assessor em um escritório famoso. Fazia seu trabalho como lhe pediam e como entendia que seria melhor. Quase nunca eram solicitadas alterações e muito raramente lhe diziam coisas negativas. Só que mesmo assim não via muitos motivos para se sentir feliz, ainda mais com o salário atrasado há alguns meses. Só que hoje se sentia diferente, recebera um elogio da equipe. Não paga as contas, mas é motivo o suficiente para tomar uma cerveja.

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